Pastor de uma das maiores igrejas do país, a Batista da Lagoinha, que hoje possui mais de 20 mil membros, e um dos principais componentes do grupo de música Diante do Trono, o grupo mais eminente da música evangélica nacional, André Valadão esbanja simplicidade e carisma. Mineiro de conversa boa e fala mansa, André carrega, aos 24 anos, o peso da grande responsabilidade de ser exemplo para milhares de brasileiros, ao mesmo tempo em que usa a calma mineira e os ensinos da fé para administrar ao lado do pai, Márcio Valadão, uma igreja com mais de 100 ministérios. Em entrevista exclusiva para o Verbo da Vida on line, ele falou sobre o Rhema, louvor e sobre a fama.

Como você conheceu o Rhema?
Eu conheci o Rhema de uma maneira muito interessante, foi o meu pai, Márcio Valadão que me falou sobre o ministério Rhema. Eu já tinha ouvido falar do Kenneth, da palavra fé, mas não de uma maneira profunda. Eu estava fazendo um outro seminário em Dallas, chamado Cruz para as Nações e depois eu fui para o Rhema e ali minha vida foi transformada e impactada pela palavra da fé.

Eu fiquei sabendo do Rhema através de dois amigos que estavam no mesmo seminário que eu estava, e eles foram em um final de semana conhecer o Rhema e quando voltaram me chamaram para um jantar, nesse jantar eles choravam igual criança e falaram para mim “olha, se você fosse meu filho, eu mandava você agora para o Rhema, porque aquele lugar vai mudar sua vida". Aquilo me impactou muito e eu liguei para o meu pai na mesma noite, e falei com ele o que tinha ouvido, e a única coisa que meu pai me disse foi “arruma sua malas e vai pra lá agora". Eu fui e a minha vida foi transformada, com a palavra da fé, com a excelência que existe nesse ministério, foi muito importante.


Basicamente o que mudou na sua vida pessoal e ministerial com o Rhema?
Deus abriu meus olhos espirituais e tem aberto cada dia mais, para que eu realmente veja quem eu sou em Cristo Jesus. Eu lembro que chorava durante as aulas. Emocionava-me muito, porque eu sempre fui crente, sempre amei o Senhor Jesus, mas vivia uma vida como tantos vivem sem conhecer a verdade do que Deus tem para nós, a verdade do que Jesus conquistou na cruz por nós, mas ali no Rhema eu aprendi isso, por isso eu me emocionava muito e minha vida foi mudada.

Em que área os ensinos do Rhema mais influenciaram sua vida ministerial?
É a pregação da Palavra acompanhada com sinais prodígios e maravilhas.

Quando você voltou do Rhema, trazendo uma nova visão, com foi adequar sua nova realidade à visão da sua igreja?
Eu creio que o maior problema de muitas pessoas da palavra da fé é que elas se acham donas da verdade. Nós não somos donos da verdade. Jesus é o dono da verdade. Nós temos que saber trabalhar com as pessoas se não nós vamos nos tornar uma seita. Seita é exatamente quando as pessoas acham que estão certas e os outros estão errados. Eu me disciplino em saber trabalhar com todos os tipos de pessoas, com todos os tipos de doutrinas, não que eu aceite, mas eu amo as pessoas e trabalho com elas, e eu honro homens de Deus, independente da doutrina, da maneira que eles pensam, é assim que eu ajo. Essa é a minha maneira de pensar.

Como é pastorear uma igreja gigantesca como a Batista da Lagoinha?
É muito simples. O evangelho é simples. Mesmo a igreja sendo grande, temos um contato com os membros bem maior do que se fosse uma igreja pequena. Estamos na igreja todos os dias, com os membros todos os dias, quando eles querem é só ir que nós estamos lá, trabalhamos todos os dias da semana.

Mas como é possível atender a mais de 20 mil pessoas?
Nós temos células, não existe outra maneira, a única maneira de uma igreja ser grande é através da célula, não tem outro jeito. Nós não somos uma igreja celular, mas nós temos células, é bem diferente. Trabalhamos também com células.

Isso quer dizer que a formação de líderes é muito importante?
Muito, por isso começamos o Centro de Treinamento Bíblico Carisma, onde geramos líderes dentro da palavra da fé, com o mesmo currículo do Rhema e com professores graduados do Rhema. Formar lideres é dar continuidade a visão de continuar o chamado, você pode ver Moisés por exemplo, Jetro falou com ele: “Moisés, você não vai conseguir fazer sozinho”. Para que o evangelho cresça, para que a mensagem da fé cresça, nós temos que formar e delegar líderes para que eles possam levar a palavra.

Quais os problemas mais freqüentes em uma igreja tão grande?
Alguns problemas diminuem muito, outros aumentam por causa do tamanho da igreja. Muitas pessoas dizem: "ah pastor, a igreja é muito grande, eu vou para uma igreja menor, onde eu conheça todo mundo...” Mas isso não é verdade, porque você pode com certeza, em uma igreja grande, conhecer pessoas e se relacionar com elas. Muitas vezes temos problemas de comunicação, mas é algo pequeno, tanto que a igreja continua crescendo.

Como vocês lidam com esses problemas?
Uma vez por semana fazemos uma reunião com os pastores e também fazemos uma reunião com todos os funcionários e obreiros da igreja, em um outro dia da semana. Fazemos isso para que a visão permaneça “fresca” no coração de todos.

Você costuma dizer “chegou o tempo da igreja”. Que tempo é esse?
O tempo sempre esteve presente. Todo tempo é tempo. Mas as orações do tipo da que Paulo orou em Efésios 1, dizendo: "abre os olhos do coração para que veja" estão atuais ainda. Hoje a igreja tem tido os olhos abertos para o que Deus está fazendo e para o que ele está querendo fazer sobre todas as nações. Assim como as águas cobrem o mar Deus vai trazer salvação sobre a terra, e a igreja tem tido essa revelação e hoje é o tempo de viver essa realidade.

O que o Diante do Trono significa hoje para a Batista da Lagoinha?

Diante do Trono é mais um dos mais de cem ministérios da Batista da Lagoinha. Porém, Deus tem trazido sobre nós uma responsabilidade muito grande. Diante do Trono para a Lagoinha é um sonho que se tornou realidade. Mas ao mesmo tempo é uma responsabilidade, é um peso de realmente sermos um exemplo de santidade, de integridade, de fé. Então a Lagoinha vê o Diante do Trono como uma bênção muito grande. É uma resposta de mais de trinta anos de oração.

A que você atribui a popularidade do Diante do Trono?
A muita oração. Nós oramos muito. Cremos no poder da oração, da oração que prevalece para a paz. A oração da fé, cremos no poder da oração.

O Diante do Trono começou como um grupo de música da igreja?
A base do grupo já tocava junto há muito tempo e a orquestra tocava em um outro grupo da igreja, então tivemos no coração o desejo de gravar um CD para a igreja e gravamos. Então houve essa explosão.

Foi por acaso então?
Totalmente, totalmente, nunca imaginávamos.

Já que a fama veio de forma inevitável para vocês que formam o grupo, como é conviver com a fama?
Nós somos como Lázaro, quando Jesus ressuscitou a lázaro as pessoas queriam ver Jesus, mas também queriam ver Lázaro, queriam ver aquele homem que esteve morto e ressuscitou. Nós estávamos mortos e um dia Deus nos deu vida e vida em abundância e as pessoas querem ver o que aconteceu, ver que Deus tem fluido e operado através delas. O que nós vemos é isso, é uma admiração, não é tietagem, quando é tietagem nós não aceitamos, saímos fora, não conversamos, mas é tão tremendo ver como existe irmãos sinceros que vêm dar testemunhos do que Deus está fazendo através do grupo através da mensagem da fé.

Então a fama é boa?
É bom e é ruim, tem hora que a gente não quer... Sabe como é...

Você acha que o movimento gospel – que já é quase um modismo no Brasil – é perigoso para o evangelho?
É muito perigoso, muito perigoso, porque como Paulo fala, temos que ter cuidado para não mercantilizarmos a palavra de Deus, de graça recebeste de graça dai. Temos que ter muito cuidado antes de fazer uma pessoa como referencia quando o caráter dela é falho. Temos que ser referencia não por causa do dom, mas por causa da integridade do nosso caráter. Uma das maiores diferenças entre o poder do inimigo em relação ao poder de Deus é que o inimigo também opera muitas coisas, mas ele não tem caráter, o que faz a diferença é a santidade, e a santidade é o que nós devemos buscar na vida de um líder. Muitas vezes esse mover gospel traz pessoas muito conhecidas, pessoas com muito talento, mas que muitos vezes lhes falta santidade.

Na sua opinião a igreja está caminhando para uma queda do tradicionalismo religioso no Brasil?
Eu creio, Deus está quebrando paradigmas através da mensagem da fé.
A mensagem da fé, na qual somos chamados a andar por fé e não por vista, é muito amada e também muito odiada por que é a palavra de Deus. Isso quebra paradigmas, quebra conceitos, quebra valores e é maravilhoso.

Como um brasileiro que morou nos EUA, você poderia dizer o que nós temos que eles não tem e o que eles tem que nós não temos, fale em termos de religião e em relação aos diversos aspectos que formam um nação.
Tenho um amigo que brincou dizendo que houve uma prova de vestibular no inferno. Os demônios que foram reprovados foram mandados para os EUA e os aprovados vieram para o Brasil. É uma brincadeira. Mas lá não existe tão forte quanto aqui a feitiçaria, a idolatria nem se compara. Lá eles acreditam na nação, por mais que venham dificuldades, eles crêem em Deus como aquele que deve reinar sobre a nação. E o que nós temos hoje é um povo mais sedento pela palavra, temos um mover sobre esta nação que não existe lá.

Como funciona a sua Escola de Cura?
Esse nome escola de cura existe porque esse é um assunto que realmente precisa ser ensinado. Existem várias maneiras das pessoas serem curadas. Podemos citar duas delas: através do mover do Espírito, e o outro é através da própria fé, quando você exercita sua fé e a cura se manifesta.

Você acha que o assunto cura tem sido pouco ensinado?
Não. Eu creio que tem sido bem ensinado em toda a Nação, mesmo entre as diversas doutrinas, até as pessoas que não crêem na cura, na hora do “vamovê” elas procuram. Eu acho que existe um bom nível de ensinamento sim.

O que impede uma pessoa de receber cura?
São muitas coisas e nós não temos todas as respostas. Uma coisa que impede é realmente a incredulidade, que vem por doutrinas que são ensinadas e que são erradas. Ensinamentos falsos que dizem que Deus coloca a doença ou que a doença faz parte da vida. Mas o Senhor disse “conhecereis a verdade e verdade vos libertará”.

Que conselho você daria para os que formam o Ministério Verbo da Vida, que é uma instituição em crescimento?
Quero dizer para os irmãos do Verbo da Vida que eu creio nessa palavra, e que a minha vida foi transformada através dessa Palavra. Quero dizer que amo todos os que fazem esse ministério, amo o irmão Bud, amo Guto e todos os que estão responsáveis, que vocês possam ver em mim alguém que pode ser uma ajuda, um braço direito, para juntos levarmos a mensagem da fé. Tenho também uma advertência: para que nunca nos vejamos como os donos da verdade e que nunca fiquemos isolados das outras igrejas, de outros pastores, eu só peço que tenhamos muito cuidado para que não nos tornemos uma seita, com um pensamento fixo de tal maneira que anulamos relacionamento com outras pessoas, eu creio que isso não existe no nosso meio, por que nós temos a visão da fé, e a fé só flui através do amor.


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Quais os principais problemas que você tem visto nos grupos de música?
Muitos grupos de música querem aparecer. Falta submissão. Um grupo de música para ser abençoado deve estar submisso ao pastor. A falta de submissão é o grande problema que eu vejo nos grupos de música.

Como o pastor deve fazer para se relacionar bem com seus músicos?
O pastor deve ter sensibilidade para se relacionar com músicos e entender os músicos. Entender que o músico tem o desejo de expressar aquilo que ele sente através da música. Muitas vezes não é o que o pastor está sentindo, mas isso não quer dizer que o músico está errado.

Qual a importância da música para uma igreja?
É tudo. A música é tudo. Nunca devemos pensar que a música é só uma parte do culto, ou que é só uma preparação para a mensagem. É um absurdo pensar assim. A música é mais uma oração. É uma maneira de orar, de expressar nossa gratidão ao Senhor, e o homem foi feito para cantar louvores ao Senhor. O homem quando está feliz não consegue ficar sem cantar, sem assoviar. A música é muito importante.

E como meio de evangelização?
Total. A música pode servir para humilhação, no sentido de quebrantamento, para júbilo, regozijo e evangelismo quando é uma música que testemunha sobre a obra de Jesus.

Quando a música deixa de ser bênção?
A música deixa de ser bênção quando não está baseada na palavra de Deus. Tem muitas músicas que são cantadas e as pessoas se emocionam muito, choram, se alegram, mas essas músicas não estão baseadas na Palavra, por isso não traz crescimento, não traz vida, e muitas música melancólicas que muitas pessoas cantam não levam a nada. Nós devemos ter a música baseada na Palavra. A bênção está aí.

O que é mais importante para o músico, o seu grau de instrução musical ou a sua qualidade de vida com Deus?
Os dois andam juntos. Se uma pessoa tem qualidade de vida com Deus ela sempre quer estudar e se preparar mais. É impossível uma pessoa que tem vida com Deus não querer estudar e dar o melhor para o Senhor. As duas coisas andam juntas.

Como o pastor deve escolher as pessoas que farão parte do grupo de música?
A pessoa tem que ser envolvida com a igreja. Tem que vestir a camisa da igreja. Um ministério de louvor abençoado é aquele que está envolvido com a igreja local, por isso, as pessoas do grupo devem está envolvidas com a igreja local.

Vou pedir para que você defina em poucas palavras algumas pessoas que escolhemos, começando por Márcio Valadão:

É um homem de Deus para o Brasil e para as nações. É o homem mais apaixonado por Deus que eu conheço.

Cassiane [esposa]:
Cassiane é mais do que um milagre. É uma mulher que me ensina a viver aquilo que eu prego. É uma mulher que me traz muita alegria e que me inspira.

André Valadão:
André é um jovem que se alegra mais também chora muito, porque aquilo que Deus colocou nas mãos do André o André sabe que só ele pode fazer. Então, é um jovem que precisa de muita oração para que se cumpra aquilo que Deus colocou nas suas mãos.

Ana Paula Valadão:
Ana Paula é um anjo. É uma mulher que cresceu diante do trono de Deus, e que faz somente expressar o que vive com o senhor.

Kenneth Hagin:
É um outro pai para mim. Creio que ele é um segundo João Batista. É o profeta que fala da segunda vinda do senhor Jesus, e não existe ninguém no mundo que tenha tantos discípulos quanto Kenneth Hagin.

Pastor Bud:
Pastor Bud é uma luz de Deus no Brasil, é um canal abençoador de Deus para esta nação. Que Deus trouxe a tanto tempo e agora ele começa a ver os frutos da vinda dele para o Brasil.

Valnice Milhomens:
É uma mulher que tem gerado o Brasil no espírito, uma mulher que ama essa nação. Eu respeito e admiro.

Silas Malafaia:
Não conheço. Não posso falar.

- Mais DT?